25 de jul de 2012

O muro


Do lado de cá do muro a vida era segura, pacata, comum... Quase perfeita. Eu andava pra lá e pra cá, procurando sentido naquilo tudo. Queria mais, esperava mais, sonhava mais.

E dei de cara com um muro.

Alto, alto, alto. Comprido, comprido, comprido.

Mas subi.

E do lado de lá do muro havia um mundo de cores, sabores e pessoas que eu nunca sequer poderia sonhar. Um mundo que era meu, mesmo sem eu saber. Um mundo que me fez querer descer do muro e vivê-lo como se não houvesse amanhã.

Mas quando eu fui descer...

Dei um passo em falso, tropecei e quase me estatelei no chão que eu havia deixado pra trás. Tive medo, muito medo de cair. Com muito esforço, voltei para cima do muro e lá me sentei.

E lá fiquei.

E lá ainda estou.

16 de jul de 2012

O papel de cada um


***

"Cada um tem seu papel no mundo" (LOPES, Rudner)


Depois que ouvi a frase acima, comecei a pensar em qual é o meu papel no mundo. Ainda não cheguei a uma conclusão, mas teorias não me faltam.

Talvez o meu papel no mundo seja o de alguém amigo, paciente, que sabe ouvir e que tem sempre a palavra certa para todos os momentos. Afinal de contas, é sempre mais fácil dar pitaco na vida alheia do que resolver seus próprios problemas.

Talvez o meu papel no mundo seja o de entrar na vida das pessoas, observar, interagir e, no momento mais oportuno, sair de cena. Isso explica, em partes, o fato de tanta gente ter passado por aqui e poucos, muito poucos, terem permanecido.

Talvez o meu papel no mundo seja o de irmão mais velho, sábio e experiente - mesmo que isso implique em me tornar alguém que não pode errar e que nunca poderá ter falhar para manchar sua história.

Talvez o meu papel no mundo seja o de alguém bem humorado, divertido e que sabe conquistar as pessoas com seu carisma e sorriso fácil. Sorriso este que esconde melancolia, frustração, medo e rancor. Mas isso, claro, ninguém pode ficar sabendo.

Talvez o meu papel no mundo seja mesmo o de alguém que não possui meio termo: ou é drama, ou é circo. Porque terceiras opções são, de fato, para os fracos.

Só queria ser menos cobrado. Só queria me cobrar menos por ser alguém que nem sempre me faz feliz eu ser.

Mas talvez seja melhor assim: intocável, imaculado, imparcial e imprevisível. Talvez eu sofra menos se entender que, talvez, o meu papel no mundo seja o de não me envolver no papel dos outros.